A cor da garrafa pode influenciar no sabor da cerveja?

Dúvidas referentes à influência da embalagem no sabor da cerveja são recorrentes. Muitos apreciadores têm a impressão que a cerveja que vem na lata não tem o mesmo gosto da cerveja da garrafa, mesmo quando são da mesma marca. Outros afirmam que a cor da garrafa pode alterar o gosto da bebida. Afinal de contas, há algo de verdade nisso tudo ou são apenas lendas urbanas?


Indo direto ao ponto? A resposta é sim: a embalagem pode ter influência no sabor e no aroma da cerveja. Mas talvez não do jeito que a maioria das pessoas imagina. Em primeiro lugar, não há razões técnicas para se acreditar que o material da embalagem altere a composição do líquido em seu interior. Tanto o vidro da garrafa quanto a lata de alumínio são materiais seguros para o envase, não sofrendo reações químicas e nem liberando qualquer substância na cerveja. Isso quer dizer que uma cerveja da mesma marca vai sempre ter o mesmo gosto, independente da embalagem?




Bem, aí a questão começa a ficar um pouco mais complexa. Existem vários fatores que alteram o sabor de uma cerveja, como o tempo desde a sua fabricação, as condições de acondicionamento até você pegar o produto da prateleira e até a unidade industrial que a produziu. Quando estamos falando de marcas grandes, como as principais cervejas “Pilsen” do Brasil, devemos lembrar que elas possuem diversas fábricas em muitos estados brasileiros, e mesmo que a receita seja exatamente igual, pequenas diferenças no processo de fabricação, como a água local, podem ter efeito no produto final. Assim, se você jura de pés juntos que a cerveja que você toma na latinha é diferente da cerveja da garrafa daquela mesma marca, você pode estar certo. Mas provavelmente isso não tem ligação com o tipo de embalagem, e sim com diferenças na idade, acondicionamento e fábricas de origem dos produtos.


Mas afinal, se a embalagem não reage nem contamina a cerveja, como ela pode ter influência no sabor do produto final? A resposta tem a ver com luminosidade. Ou, melhor dizendo, com a quantidade de luz que uma determinada embalagem deixa passar e interagir com o líquido em seu interior.


Toda cerveja, por lei, tem como ingrediente o lúpulo, que além do sabor confere um certo grau de amargor à bebida. Mesmo cervejas muito leves e com amargor quase imperceptível são feitas com lúpulo, e as moléculas químicas que conferem essa sensação amarga são fotossensíveis. Isso quer dizer raios de luz podem quebra-las, produzindo subprodutos que alteram o sabor da cerveja.


O principal resultante dessa quebra é um off-flavor(ou seja, sabor/aroma indesejado) chamado de skunk, em referência àquele animal não muito cheiroso que conhecemos como zorrilhos, jaratatacas ou cangambás, dependendo da região do Brasil.


Para não ter dúvida que você sabe de que bichinho eu estou falando, pense no famoso personagem Pepe Le Gambá, da turma do Pernalonga, lembra? Pois é, o skunk, quando presente na cerveja, lembra o cheiro produzido por essa espécie, e muitas pessoas não acham isso lá muito agradável.



Assim, a imensa maioria das cervejarias opta por envasar a cerveja em garrafas de cor ambar, que são pouco translúcidas e protegem melhor o líquido da luz. Mas, neste momento, eu seria capaz de apostar que veio à sua mente uma certa marca de cerveja holandesa, muito popular no Brasil, de garrafa verde, certo? Bem, essa marca é, de fato, a melhor maneira de você tentar identificar o skunk na cerveja, porque a garrafa verde é muito menos efetiva na proteção contra a fotólise (quebra através da luz). E se você tem a mais absoluta certeza de que a cerveja em lata dessa marca é totalmente diferente da cerveja em garrafa, eu posso garantir que neste caso você está cobert@ de razão, e o motivo é a embalagem.


Por último, uma dúvida que pode ter surgido ao longo dessa conversa diz respeito às garrafas transparentes, bem comuns no mercado. Seguindo a lógica da proteção contra a luminosidade, estas deveriam ser as cervejas com maior aroma de skunk, certo? Mas, contrariando essa expectativa, geralmente as cervejas em garrafas transparentes são super leves e não apresentam skunk nenhum. Como? Bem, isso se deve a uma técnica de fabricação, em que as substâncias fotossensíveis derivadas do lúpulo são molecularmente modificadas antes da sua adição no processo. Essa modificação molecular torna essas substâncias resistentes à luz, e assim mesmo com a garrafa transparente não há fotólise, e, portanto, não há skunk.


Agora, só não me pergunte o porquê de a famosa marca da garrafa verde não utilizar essa técnica. Vai ver que tem gente que gosta daquele gostinho, né? Tipo a pessoa que está escrevendo este texto, aliás. Só não conta pra ninguém, ok?


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