As cervejas tchecas

Quer dizer que você quer saber um pouco mais sobre as cervejas tchecas? Pois seu pedido é uma ordem! Para quem está boiando, fizemos uma enquete no nosso Instagram para saber qual seria o próximo destino cervejeiro a ser abordado aqui no blog, e as cervejas da República Tcheca ganharam da Escola Belga. Não se preocupe: as Belgas terão sua vez aqui no blog! Mas, como a voz do povo é a voz de Ninkasi, a deusa da cerveja (o que, aliás, renderia um bom post), desta vez falaremos das cervejas que vêm do país com maior consumo da bebida do mundo.




Sim, os tchecos entornam o barril. A média de consumo anual é de aproximadamente 160 litros por pessoa, o que significa incríveis 430ml de cerveja por dia. TODOS OS DIAS DO ANO!

Só para termos uma noção, aqui no Brasil, onde nos achamos grandes bebedores de cerveja, o consumo é 3 vezes menor. Boa parte do consumo tcheco ocorre em bares e pubs, onde você encontra a cerveja no seu estado pleno de frescor: direto da torneira, servida em copos de 500ml que lembram uma caneca, com um generoso e convidativo colarinho.


Embora existam diferentes estilos locais, o mais consumido é o Bohemian Pilsner, cuja importância para a história da cerveja como um todo transborda as fronteiras tchecas. Falamos sobre ele no post sobre Escola Alemã, mas agora vamos mergulhar mais fundo. E quando falamos mergulhar, não pense que é apenas uma metáfora. O culto à cerveja na República Tcheca é tão grande que há lugares em que você pode pagar para, literalmente, tomar banho em uma banheira de cerveja.


Antes mesmo de o icônico estilo Pilsner surgir, a República Tcheca já estava praticamente destinada a entrar para os livros de história da cerveja. Há registros de produção e consumo da bebida na região desde pelo menos 1295, e assim os habitantes locais produziam e refinavam seus insumos há séculos. Cevada de alta qualidade, lúpulos equilibrados e uma água com baixíssimo teor de sais minerais pareciam estar só esperando por uma receita que combinasse todos estes ingredientes da forma certa, e isso aconteceu em 1842, na cidade de Pilsen (Plzeň, em tcheco), região da Boêmia (aposto que você está entendendo vários rótulos de cerveja do Brasil bem melhor agora, não?).



Até aquele momento, os fabricantes locais só produziam cervejas da família Ale, que são mais complexas, frutadas e pesadas. Mas, influenciado pelos estilos Lager, produzidos em regiões próximas da Alemanha, um novo mestre cervejeiro local decidiu inovar e utilizar aqueles ingredientes para produzir uma cerveja clara, leve e com um toque refrescantes de lúpulo. Não havia, até aquele momento, registro de lagers tão claras, e isso só foi conseguido em razão da água única da região de Pilsen. Nascia assim a Pilsner Urquell (Original de Pilsen), que rapidamente se popularizou por várias regiões da Europa.



Na Alemanha surgiu o German Pils, estilo ispirado no original tcheco, mas com menos lúpulo. O gosto por cervejas claras e leves chegou até os Estados Unidos na segunda metade dos anos 1800, através de imigrantes alemães. Precisando produzir sua própria bebida, eles utilizaram uma certa proporção de milho para deixar a cerveja menos turva e mais parecida com aquela produzida na Europa. E assim estava nascendo o American Lager, estilo que se popularizaria pelo mundo inteiro, principalmente a partir da grande influência que os americanos passaram a ter depois da Segunda Guerra. No Brasil, o American Lager foi batizado (erradamente) de Pilsen, uma clara referência ao estilo tcheco, mas que em nada se parece com ele. A Pilsen brasileira é como a cópia da cópia da cópia de um original, e portanto sua semelhança se limita a uma cor parecida (e olhe lá).


Felizmente, o estilo original está mais vivo do que nunca, com inúmeras cervejarias tchecas produzindo e exportanto o mais influente estilo da história da cerveja até os dias de hoje, como a Czechvar, 1795 e a Praga. Até a marca original, Pilsner Urquell, segue na ativa, e você encontra ela na nossa loja. Já a caneca de vidro da marca, que é basicamente o copo que você veria ao entrar em qualquer pub tcheco, não é tão fácil de encontrar, então fica a dica de dar uma olhada no nosso site, porque temos ela em estoque.


Para terminar nosso tour pelas cervejas da República Tcheca, vale mencionar outros estilos produzidos e consumidos por lá. Embora sejam pouco exportados, certamente você irá topar com cervejas de outras cores se for visitar o país. Além das Pilsen claras, você vai encontrar cervejas âmbar (avermelhadas) e até mesmo escuras, todas leves e com marcante presença de Saaz, o famoso lúpulo tcheco que dá personalidade também à Bohemian Pilsner. E aliás, falando em lúpulo, a cerveja tcheca é tudo, menos inocente. Seu nível de amargor rivaliza com o das APAs (ou seja, uma escala média), embora no geral seja uma cerveja muito mais delicada e refrescante que as Pale Ale americanas.


Uma sugestão de Sommelier para dar uma viajada até a RepúblicaTcheca sem sair de casa?


Dá uma olhada na nossa seleção de cervejas tchecas. Lembre de deixá-las na geladeira por pelo menos um dia, já que a temperatura de serviço deste estilo é 4°C (tampouco cometa a heresia de deixar uma cerveja dessas no congelador para bebê-la "estupidamente gelada").


Lembre-se que, apesar de ser uma cerveja refrescante, você quer sentir o sabor do malte e do lúpulo da Bohemian Pilsner, e temperaturas muito baixas atrapalham muito nossa capacidade sensorial.

E aí, gostou? Então fique ligado no nosso blog. Outros tours cervejeiros estão por vir, e muita cerveja boa ainda vai rolar. Até lá, saúde! Ou, em bom tcheco, na zdraví!


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