Cerveja Puro Malte: Tudo o que você precisa saber

Com a popularização crescente das cervejas especiais e artesanais, está cada vez mais comum encontrarmos cervejas puro malte no mercado. Essa não é uma definição nova, algumas cervejarias já utilizam essa informação no rótulo há algum tempo, como indicativo de maior qualidade do produto. Mas o que quer dizer, exatamente, uma cerveja ser puro malte? E ser puro malte é mesmo sinônimo de qualidade? Cervejas que não são puro malte devem ser evitadas?


Bem, comecemos do começo. O principal ingrediente da cerveja é a cevada, um grão cheio de amido, que será a base do açúcar a ser fermentado. Contudo, antes de ser utilizado, o grão da cevada precisa passar por um processo fundamental: a malteação. Na malteação, o grão é colocado para germinar, ativando enzimas que serão importantes no processo de produção da cerveja. Logo após, o grão é seco, interrompendo a germinação, e podendo ser torrado ou não. E assim chegamos ao malte de cevada, ingrediente que contribuirá para a cor, sabor, aroma, carbonatação e quantidade de álcool da cerveja.


Agora que sabemos o que é o malte, vamos responder a primeira pergunta: o que é uma cerveja puro malte?



Pois bem, quando o amido que será utilizado para fazer uma cerveja vem exclusivamente do malte de cevada, diz-se que essa cerveja é puro malte. Mas se toda cerveja é feita de cevada, por que nem toda cerveja é puro malte? Basicamente, há outras fontes de amido que podem ser utilizadas para fornecer os açúcares fermentáveis, como o milho e o arroz.


Estes grãos alternativos conferem menos aroma, sabor e corpo à cerveja, que tende a ficar mais leve e menos saborosa. O outro efeito do uso do milho ou arroz é a redução do preço de produção, já que são mais baratos que a cevada.


E assim chegamos nas cervejas de massa, mais leves, mais baratas e menos saborosas. A legislação brasileira exige que, para ser chamada de cerveja, a receita deve incluir um mínimo de 55% de malte de cevada, permitindo que os outros 45% sejam de, por exemplo, milho. Ou seja, na maioria das vezes as cervejas puro malte serão, sim, melhores e mais saborosas que cervejas não-puro malte, e ao mesmo tempo mais caras. Mas será que ser puro malte, por si só, garante que a cerveja vá ser boa?


A resposta é, definitivamente, não. Como acontece com tudo que fica popular, algumas grandes cervejarias já estão tentando surfar a onda de ter uma cerveja para chamar de puro malte. E mesmo que a marca não esteja mentindo e use, realmente, 100% de malte de cevada na produção do seu rótulo puro malte, o foco segue sendo produzir produtos baratos e, por consequência, de menor qualidade. Além disso, mesmo cervejarias que foquem na qualidade ou cervejeiros artesanais podem errar a mão na tentativa de fazer algo diferente.


Mas e então, sabendo de tudo isso devemos evitar consumir cervejas que não sejam puro malte? A resposta, de novo, é não, e por vários bons motivos. Em primeiro lugar, muitos estilos clássicos de cerveja levam em sua composição outros grãos além da cevada, os quais conferem outras características.


A aveia, por exemplo, contribui para a formação de uma espuma mais cremosa, o centeio confere um sabor levemente picante, e o trigo é a base de estilos consagrados, como a Witbier e a Weissbier.


E mesmo que a aveia, o centeio e o trigo utilizados na produção sejam malteados (é possível fazer malteação com praticamente qualquer grão), de acordo com o texto da lei brasileira, só pode ser chamada de puro malte a cerveja feita com 100% de malte de cevada, especificamente (só pra confundir, né?).


Para além destes grãos, a utilização de qualquer fonte de açúcares que não seja a cevada previne a cerveja de ser chamada de puro malte. Ou seja, cervejas com abóbora, mandioca, açúcar de cana ou qualquer tipo de fruta não são puro malte, mas isso não significa que terão baixa qualidade. Tudo depende da qualidade dos ingredientes e da mão do cervejeiro.


Em resumo: cervejas puro malte tendem a ter mais sabor e qualidade do que as cervejas comerciais que não são puro malte. Mas quando consideramos as cervejas especiais nessa discussão, descobrimos que uma parte considerável dos estilos mais clássicos ou inovadores não são puro malte, e mesmo assim podem ser a melhor cerveja que você já tomou na vida.


Portanto, não se deixe enganar. Puro malte pode ser um indicativo de qualidade, mas também pode ser só marketing. Mas sabe qual a parte boa nisso tudo? Você vai ter que beber para saber!


Está gostando das nossas dicas? Então fique ligado nas próximas postagens, vem muito mais assunto interessante por aí. Até lá!

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